Jornal

Roberto, Roberto
na máquina das letras
datilografava o futuro
de ontem com a cara
bem mais que amassada
do verão
O que seria da chuva forte
que caiu na sexta-feira,
das árvores que caíram
com ela
e do José, que completava
cento e cinco anos
na sexta, na mesma sexta
quando meus sapatos novos
chegaram?
O cemitério amazônico
recebe milhares de árvores
por dia
A pobre-coitada
da hipocrisia, usada
e abusada e que ninguém via
Roberto, Roberto,
o que será da sexta-feira?


Felipe Gregório

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